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Restauração dos elementos artísticos da capela da Fazenda Babilônia, Goiás

Mediante processo licitatório promovido pela 14ª Superintendência do IPHAN, o Grupo Oficina de Restauro ficou responsável pela restauração dos elementos artísticos da capela da fazenda Babilônia, na cidade de Pirenópolis, em Goiás.

Fazenda BabilôniaA decoração interna da capela da fazenda Babilônia, datada de princípios do século XIX, traz em sua ornamentação as influências neoclássicas que ditaram a moda artística no período. Entretanto, a pintura do forro representando Sant'Ana e São Joaquim ainda comporta referências ao estilo rococó, cujas características podem ser observadas pela trama da sua composição idealizada em perspectiva. com arcos e balaustradas laterais em tons bastante suaves, e principalmente pela presença de rocalhas no arranjo decorativo que a complementa. Por outro lado, a decoração parietal que ocupa o fundo da capela, como a que envolve o próprio retábulo, insere-se nos padrões ornamentais do neoclassicismo, traduzidos pelo emprego de moldes - leia-se estêncil – e pela utilização de motivos florais, distribuídos simetricamente em toda a sua extensão.

Fazenda BabilôniaNo quesito iconográfico, a representação de cenas alusivas à vida de São Joaquim e de Sant´Ana, com pinturas figurativas distribuídas em dois painéis que compõem o forro da capela, surpreende pela raridade. Geralmente, nos monumentos religiosos, as representações de Sant´Ana e São Joaquim são mais comuns em esculturas sacras do que em decorações pictóricas. A referência aos nomes dos pais da Virgem Maria e avós de Cristo não consta na Bíblia; trata-se de texto apócrifo e que aparece apenas no Proto-Evangelho de Tiago, datado do século II. 

Fazenda BabilôniaEssa decoração, no aspecto estético, tem a seu favor a singeleza e a homogeneidade das formas e da coloração dos seus elementos. Sua autoria, no entanto, ainda é ignorada. Executada em têmpera oleosa, a pintura sofreu demasiados danos com as águas pluviais que penetraram pela cobertura da capela. Presente em toda a ornamentação, e também exposto à ação das chuvas, o suporte em madeira teve significativas áreas com perdas, tanto nas peças de sustentação da estrutura, tábuas do forro e do painel de fundo bem como nas peças recortadas do retábulo e da cimalha com pintura marmorizada. Apesar da constatação da presença de insetos xilófagos no madeiramento, a deterioração imposta ao mesmo pelas térmitas foi ínfima diante dos danos causados pela ação das águas.

Nesse contexto, constatou-se que as alterações exercidas na decoração interna da capela da Fazenda da Babilônia, evidenciadas pela presença de intervenções posteriores à sua confecção, ocorreram única e exclusivamente no intuito de recompor os estragos causados pela ação das águas pluviais. Na falta de informações sobre como restaurar esse conjunto decorativo, os responsáveis pela edificação, nas primeiras décadas do século XX, contrataram os serviços de pintores que restabeleceram a ornamentação a partir da ocultação das partes mais deterioradas da pintura. Desta forma, a sua restauração foi facilitada, uma vez que o trabalho original foi ali mantido intacto, com todas as suas referências formais.

Fazenda BabilôniaMesmo considerando-se todas as recomposições exercidas na decoração durante o trabalho, fruto das referências encontradas, aliadas à recuperação da integridade física de todo o seu madeiramento, o critério adotado pelo Grupo Oficina de Restauro para a intervenção nos elementos que compõem a decoração interna da capela da fazenda Babilônia ampara-se conceitualmente no pensamento de Cesare Brandi, em seu livro Teoria do Restauro ao refletir que “a restauração deve dirigir-se ao restabelecimento da unidade potencial da Obra de Arte, sempre que isto seja possível, sem cometer uma falsificação artística ou histórica e sem apagar as marcas históricas da passagem da Obra de Arte pelo tempo” .  

Website da Fazenda Babilônia

 

 

 

 

 

 

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