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Pintura à base de Cal

Com o propósito de solucionar a delicada questão referente ao tratamento dispensado às paredes de monumentos neoclássicos, que originalmente apresentam argamassa de cal e foram pintados com tinta à base de cal, em que a aplicação do látex compromete a aderência e a aparência; em função da excessiva lisura desta técnica, ou mesmo, apenas no intuito de tratar integralmente essas fachadas com a textura pictórica que lhe é peculiar o Grupo Oficina de Restauro tem utilizado a cal nas intervenções em pinturas parietais nos edifícios históricos submetidos à restauração.

Vários trabalhos foram desenvolvidos utilizando-se da referida técnica. Entre as intervenções mais significativas podemos destacar os prédios do Palácio da Liberdade e da Secretaria de Educação em Belo Horizonte, hoje Museu das Minas e do Metal, mais os serviços de pintura executados na fonte Mayrinck no Balneário Parque das Águas, na cidade de Caxambu/MG.  

 A Cal

A cal é um óxido de cálcio (CaO). Substância, que, combinada com o ácido carbônico, forma a pedra e o mármore, e, combinada com o ácido sulfúrico, forma o gesso. Cal aérea e hidráulica, cal Viva, cal anidra, cal virgem. Cal Apagada, cal hidratada.

Maiores informações no link abaixo:
http://civil.fe.up.pt/pub/apoio/ano1/CienciaDosMateriais/apontamentos/teorica_20022003/JSC_031a043.pdf

Água de Cal: dissolução de cal em água, na proporção de 01 para 700, 
Leite de Cal: dissolução de cal em água muito concentrada, para caiar.
A cal comumente encontrada no mercado é a cal aérea. A cal hidráulica é o ligante que combina numa única substância, a presa hidráulica e a presa aérea, sendo por isso mais resistente e a mais recomendável para consolidações e reabilitações de monumentos históricos, principalmente à beira mar.

Argamassa de cal                

A argamassa de cal pode ser feita com a cal virgem (que é a mais resistente e mais barata, mas também mais trabalhosa) ou com a cal vendida no comércio (Massical) que é industrializada e já vem parcialmente hidratada. Esta é mais rápida e fácil.
Na utilização da cal virgem tem que ser quebrada, pulverizando as pedras para depois acrescentar água até formar uma pasta e deixar descansar, no mínimo um mês (na antiguidade eles deixavam um ano).
Optando-se pela Massical ,mistura-se a água e deixa-se descansar de um dia para o outro; ou pode-se utilizar imediatamente.
As quantidades da mistura são de 3 ou 4 de areia por 1 medida de cal; pode-se acrescentar na massa pigmentos naturais ou pó xadrez, obtendo assim uma massa tonalizada dispensando a pintura posterior.

Aplicação da argamassa de cal:

Deve-se aplicar antes  uma demão de cal diluída ,bem rala, em toda superfície, para facilitar a aderência.
Em seguida deve-se molhar, chapiscando com a brocha de água a superfície  a ser trabalhada e aplicar imediatamente a massa  como se faz com cimento; depois  alisar com  filtro (esponja).

Obs:
Não é para acrescentar cimento na massa e nem chapiscar a superfície com cimento.

  • Esta argamassa pode ser utilizada na união de tijolos também.  Serve para fazer muros, paredes, rebocos, remendos  etc. Só não serve para  vigas estruturais.
  • Uma das vantagens da argamassa de cal é que a mistura depois de seca pode ser reativada com água, assim a massa é sempre reaproveitada, sem perdas.
  • Na utilização de cal para consolidação  e reabilitação de rebocos antigos deve-se optar pela cal hidráulica que é mais forte e resistente.    
Pintura à base de Cal
 
No preparo tinta a base de cal  mistura-se a cal na água  (cal para pintura, não a Massical) deixando de molho de um dia para o outro, agitando sempre a mistura.
Atenção: não utilizar o fixador que vem junto que é cola branca PVA e impermeabiliza a tinta.
Faz-se a mistura com 2 litros de água para dois quilos de cal; em seguida acrescenta-se o pó xadrez ou pigmento natural para tonalizar. Antigamente usava-se 1 litro de leite como fixador, hoje utilizam cola branca, mas esta impermeabiliza a tinta, fazendo-a perder a condição de transpiração. Alguns também acrescentam um pouco de óleo, que é incompatível com a água esta receita só funciona como emulsão, que é muito difícil de fazer.
Como fixador utiliza-se o Mowiol 888 (álcool polivinílico preparado como base, diluído em água, resultando num adesivo,  que corresponde às necessidades da cal; é um bom fixador, adere à pintura e permite a absorção e evaporação de umidade.
Para se preparar 05 litros de Mowiol, utiliza-se 01 quilo de Mowiol em pó e 10 litros de água. Leva-se a mistura ao fogo brando, sempre mexendo até que dissolva totalmente e perca o aspecto leitoso. O resultado é uma cola transparente, não muito rala. Que deve ser adicionada à mistura da cal com o pigmento.
 A pintura à cal não é fácil de ser aplicada, exige-se que ab brocha seja aplicada de forma esticada, usando  força e que sejam  dadas duas demãos , sendo a primeira na horizontal e a segunda no sentido  vertical, depois que a primeira já secou.
   
Obs: 
 
A pintura a cal não aceita retoque, se houver falha ou mancha, há que se pintar todo o pano de novo.
  • Sempre antes do uso a mistura deve ser remexida.
  • Manchas escuras e aparecimento de micro-organismos podem aparecer em lugares  onde acumular água de escorrimentos constantes. Nestas áreas deve-se aplicar um fungicida Timol 5% diluído em álcool etílico.
  • A tinta guardada tende a clarear com o tempo, a cal queima o pigmento.
Cuidados no preparo da cal:
  • Máscara e luvas porque é cáustico (corrosivo) e na hora do preparo  solta fumaça.
  • Preparar em tambores resistentes porque durante o preparo inicial esquenta momentaneamente e corrói plásticos..
  • É necessário mexer a mistura todos os dias porque  ocorre sedimentação e também adicionar sempre um tanto de água par conservar a liquidez.
 
Preparo da cal Preparo da cal Preparo da cal Preparo da cal
preparo da cal

Sempre mexer o fundo
para manter em solução

 
     apos-restauro
 manutenção diária da tinta  durante aplicação  após pintura Museu das Minas e Metal
  
 
Com o propósito de solucionar a delicada questão referente ao tratamento dispensado às paredes de monumentos neoclássicos, que originalmente apresentam argamassa de cal e foram pintados com tinta a base de cal, em que a aplicação do látex compromete a aderência e a aparência; em função da excessiva lisura desta técnica, ou mesmo, apenas no intuito de tratar integralmente essas fachadas com a textura pictórica que lhe é peculiar o Grupo Oficina de Restauro tem utilizado a cal nas intervenções em pinturas parietais nos edifícios históricos submetidos à restauração.Com o propósito de solucionar a delicada questão referente ao tratamento dispensado às paredes de monumentos neoclássicos, que originalmente apresentam argamassa de cal e foram pintados com tinta a base de cal, em que a aplicação do látex compromete a aderência e a aparência; em função da excessiva lisura desta técnica, ou mesmo, apenas no intuito de tratar integralmente essas fachadas com a textura pictórica que lhe é peculiar o Grupo Oficina de Restauro tem utilizado a cal nas intervenções em pinturas parietais nos edifícios históricos submetidos à restauração.
 

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