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Tecnologia Gases Inertes Imprimir E-mail

Através de convênio firmado com o Instituto Cultural Flávio Gutierrez para utilização do laboratório de conservação e restauração do Museu de Artes e Ofícios o Grupo Oficina de Restauro - obedecendo aos padrões de excelência inerentes ao processo - desenvolveu e ali estabeleceu o método de desinfestação de obras confeccionadas em madeira ou em materiais celulósicos com o uso de gases inertes.

O primeiro trabalho empregando-se a técnica de atmosfera anóxia ocorrido no laboratório do MAO foi realizado na imagem setecentista de Santa Efigênia pertencente à igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, de Mariana, fruto de uma parceria do ICFG com o Museu Arquidiocesano.

Totalmente equipado para o tratamento de descupinização e imunização preventiva de madeiras e documentos, o laboratório além de contar com o plástico de barreira para feitura das bolsas de gases inertes (argônio e nitrogênio), possui câmeras de vidro para fumigações, banheiras para imunizações, dentre outros equipamentos adaptados para receber obras de arte, arquivos e bibliotecas em geral, assim como objetos de madeira em tamanhos variados.

Sistema anóxio para 
DESINFESTAÇÃO DE DOCUMENTOS E BENS CULTURAIS.
FONTE: MC BUSINESS LTDA

Baseado no trabalho do Dr. Robert J. Koestler, Phd em biologia celular, pesquisador cientista do Centro Sherman Fairchild para Conservação de Objetos, Metropolitan Museum of Art, Nova York, USA.

Historicamente os tratamentos para erradicação de pestes em bens culturais têm sido uma sucessão de aplicações de diferentes produtos ou compostos químicos (biocidas). Todos, em maior ou menor grau, alcançam êxito, porém ultrapassam a proposta-alvo deixando seqüelas irreversíveis no bem tratado. Por vezes a reação é bastante evidente (ex.: alteração de cor ou brilho da pintura); outras vezes é invisível ao olho desarmado (ex.: absorção do biocida para dentro do material, alteração do Ph, quebra de cadeias moleculares, etc.) Ainda, podem ser danosos ao operador e ao meio ambiente e usuário.

Vejamos alguns exemplos: Brometo de metila, por exemplo, quebra ligações que contenham átomos de enxofre, produz odores nocivos, ataca três vezes mais a camada de ozônio do que fluorcarbonos.
Óxido de etileno, muito eficiente na erradicação de insetos e fungos. Altamente tóxico para humanos, tido como agente carcinogênico, retém-se em componentes de arte que contenha lipídios, ex.: pergaminho e couro.

Ao mais recentemente utilizado em museus dos Estados Unidos, o fluoreto sulfúrico, foi detectado em testes no laboratório do Metropolitan Museum of Art que; 10 entre 11 sistemas de pigmentos ficaram alterados por este fumegante. (Koestler et al., 1993)
Outras alternativas para combater as infestações são aplicadas tais como: congelamento, aquecimento, radiações de comprimentos diferentes, etc. Todas causando, em diferentes níveis, um estresse físico nos materiais.

Arte é freqüentemente composta por um variado conjunto de materiais e cada material responde diferentemente a mudanças de energia a qual é submetida.
Por exemplo: se o coeficiente de dilatação é significantemente diferente entre materiais em um mesmo bem, e se este for congelado ou aquecido, os materiais que o compõe dilatarão ou contrairão em razões diferentes. Isto pode, e freqüentemente conduz, a fissuras ou rachaduras em certos tipos de materiais.

Testes com radiação Gama em pergaminhos novos e antigos demonstraram que os danos por radiação são acumulativos e mais gravemente suscetíveis em pergaminhos antigos. (ref. Dra. Petushkova – Laboratório de conservação de patrimônio cultural de Moscou).
De uma forma simplificada os seres podem ser vistos em três níveis de complexidade orgânica:
As bactérias e vírus, os fungos e, acima destes os chamados seres superiores. Estes seres superiores necessitam de oxigênio para seu metabolismo.
O problema de infestação por insetos ou micróbios em objetos de arte é secular.

Técnicas de controle incluíram desde tratamentos por ervas, fumaça de fogueiras, e, mais recentemente por meios químicos. Todos promoveram certo nível de eficácia, senão o controle das pestes. Porém, muito freqüentemente o tratamento, enquanto visava salvaguardar a arte, criava danos às mesmas. Com o propósito de eliminar os efeitos colaterais dos controles de infestações, diversos laboratórios no mundo focaram-se em meios não-químicos para um tratamento não destrutivo.
A história da fumigação para tratamento de controle de pragas no campo da conservação de bens histórico-artístico-cultural é uma seqüência de uso de produtos químicos inadequados um após o outro.

Todo fumegante é um biocida (biocida é qualquer produto químico que reage com um ou mais processos dos organismos vivos e inibe este(s) processo(s), resultando na morte do mesmo) Infelizmente biocidas tendem a reagir além do seu organismo-alvo. Eles também, muito freqüentemente, reagem com algum componente do bem em tratamento. Por vezes a reação é bastante evidente (ex.: alteração de cor ou brilho da pintura); outras vezes é invisível ao olho desarmado (ex.: absorção do biocida para dentro do material, alteração do Ph, quebra de cadeias moleculares, etc). Ainda, os fumegantes podem ser danosos ou até letais aos seres humanos nas concentrações aplicadas ao controle de pragas, sem mencionarmos os possíveis danos ao meio-ambiente.

DESISFESTAÇÃO ANÓXIA

A desinfestação por atmosfera anóxia é uma nova técnica de erradicação e controle de pestes (xilófagos, bibliófagos, etc) realizada com a retirada do oxigênio do interior de um espaço onde o bem fica confinado por barreiras especiais durante o tratamento, o que resulta na morte de todos os seres superiores em qualquer um de seus estágios evolutivos. (Ovo, pupa, larva, adulto, etc) Isto ocorre por asfixia já que o oxigênio esta ausente no interior do invólucro.

Este processo é seguro, atóxico, não inflamável e totalmente inerte ao material em tratamento. É monitorado por equipamentos de última geração com altíssimo nível de sensibilidade e precisão. Com tecnologia de ponta, tem sua eficácia cientificamente comprovada e patenteada. Não modifica as propriedades físico-químicas do bem tratado ficando o bem absolutamente inalterado da sua forma original, mesmo a nível microscópico. Com equipamento portátil, pode ser realizado in situ e moldado na forma e tamanho necessário para o tratamento.

Aplicável em qualquer bem ou acervo confeccionado com matéria-prima orgânica, tais como: papel, couro, madeira, tecido, consorciados ou não a materiais inorgânicos. É o que há de mais adequado dentro do conceito de conservação fina de acervos e bens móveis, atualmente no mundo.
Trata-se de uma técnica de desinfestação com nenhum efeito nocivo ao bem tratado ou para o operador. Seguro, ecológico, atóxico, não-inflamável, não-químico. Consiste na embalagem do bem a ser tratado em um filme especial e a remoção do oxigênio do seu interior. Substitui-se o oxigênio por um gás inerte erradicando assim todos os insetos em qualquer fase de seu desenvolvimento (ovo, larva, pupa, adulto, etc... ). Este processo é monitorado por equipamentos de ultima geração com altíssimo nível de sensibilidade e precisão, com tecnologia de ponta. Não modifica as propriedades físico-químicas do bem tratado ficando o bem absolutamente inalterado da sua forma original, mesmo a nível microscópico.

É sabido que todos os insetos, ou melhor, todos os seres acima do nível dos fungos (chamados seres superiores) necessitam de oxigênio para seus metabolismos. Surge o conceito teórico genialmente simples: Em um ambiente anóxio (livre de oxigênio) todos os seres superiores serão erradicados.
Após anos de pesquisa e aprimoramento o Dr. Koestler comercializou a patente da técnica de erradicação de pestes por atmosfera anóxia à Art Care International, Inc. sediada em Nova York, USA.

O procedimento executivo da técnica é relativamente simples :

  • Isola-se o bem / objeto da atmosfera rica em oxigênio
  • substitui-se o ar rico em oxigênio por um gás inerte (não reage com material algum anóxico (pobre em oxigênio)
  • aguarda-se um prazo pré-estabelecido até o aniquilamento total dos insetos e retira-se o bem / objeto do ambiente anóxico.

Paradoxalmente, este processo demanda alta tecnologia de suporte para que sejam atingidos os baixos níveis de oxigênio e sua manutenção para que a total eficiência seja alcançada.
A eficiência da técnica foi exaustivamente analisada em laboratório com o acompanhamento de emanações de metano e CO2 pertinente aos processos digestivos e respiratórios respectivamente dos insetos. Com a espectrometria no infravermelho modificado de Fourrier a precisão da leitura e eventuais oscilações dos gases chega a ser de 20 ppb (partes por bilhão) em apenas 20 minutos.

Atualmente, este método é o meio não-destrutivo mais preciso e seguro de detecção e erradicação de infestações em bens de valor histórico-artístico-cultural.

 

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